sábado, 3 de fevereiro de 2018

A questão da aquisição da língua estrangeira nos parâmetros da abordagem comunicativa.

Nos anos em que eu venho lecionando a língua inglesa na abordagem sócio comunicativa, que é dar preferência ao uso efetivo da língua em sala de aula, percebi que alguns dos meus alunos não se adequam a este tipo de interação, não entendem como este tipo de abordagem pode ser muito eficaz no aprendizado da língua.
Meu objetivo com este artigo não é de forma alguma concluir que este ou aquele método é mais eficaz, mas sim, dar minha opinião baseada na minha experiência pessoal de ensino da língua e como eu venho observando a evolução dos meus alunos em principalmente se comunicar em inglês.
Primeiramente, eu entendo que, quando o aluno busca o aprendizado de uma nova língua estrangeira pode ter diferentes objetivos a serem atingidos, que não necessariamente possa ser efetivamente falar e se comunicar (por mais incrível que pareça), percebo que alguns dos alunos estão interessados em desenvolver a capacidade de ler em inglês, ou de adquirir um vocabulário técnico para poder entender programas que usam o inglês em sua plataforma, ou simplesmente por necessidade profissional, e nesses casos o grande vilão se encontra no psicológico deste aluno, simplesmente porque ele precisa (é obrigado) a adquirir aquele conhecimento de uma forma ou de outra e não porque sente prazer em estudar.
Este é o ponto em que eu queria chegar, o aluno que não mostra interesse pessoal nos estudos de línguas, não é ele que dá o primeiro passo nessa direção e é muito provável que não irá conseguir manter os estudos por muito tempo, e no período em que estiver estudando a tarefa se tornará ardilosa e chata, em outras palavras não é eficaz de forma alguma. E então sua participação em sala de aula se torna mínima, este aluno não participará da aula e não interagira com os outros estudantes e isso é vital para que suas competências comunicativas sejam adquiridas.
Eu sempre defendi que a aquisição de línguas, mesmo quando eu não conhecia a abordagem comunicativa, vinha quase que cem por cento da prática, da comunicação, do estudo ativo, ou seja, de realmente tentar usar as frases, palavras aprendidas durante a aula com os colegas e ou professores. No caso de alunos autodidatas, que estudam em casa e que não possuem colegas que possam praticar, usar esta maravilhosa ferramenta que é a internet para poder comunicar-se com outras pessoas, sejam brasileiros ou estrangeiros para poder praticar. Eu, em meados de 2012 quando senti a necessidade de comunicar-me com amigos ou nativos procurava fóruns de inglês na internet para poder trocar ideias e contas do Skype. Praticava através de chamadas vídeo.
Estou frisando neste tópico para poder usar a seguinte analogia: Quando somos bêbês e não conseguimos nos comunicar, usamos da nossa associação lógica para obtermos o que desejamos, seja porque estamos com fome ou porque estamos com dor. Choramos e então percebemos que alguém vem nos socorrer, choramos de novo e alguém nos dá comida. Nossos pais conversam conosco como se estivéssemos entendendo o que estão dizendo, aproximam-se do berço e dizem “hó, o que aconteceu, você está com fome não é? vem cá que a mamãe/ papai vai cuidar de você”, ou por exemplo, vem com a mamãe/ papai, vem?!”. Nossos pais, avós, irmão mais velhos conversam conosco como se de fato entendêssemos, quando na verdade estamos usando a lógica para tentar associar os gestos que estão fazendo com as mão acompanhado da expressão em seus rostos.
Com o passar do tempo, de tanto ouvirmos os sons que fazem, começamos usar a associações lógicas e tentamos reproduzir o som com o intuito de obtemos algo, “gaga” para “água”, “papa” para chamar o Pai, “mãmã” para chamar a Mãe, “mimi” para dormir, “betô” para cobertor” e assim por diante. O bêbê leva de fato 3 anos para começar a comunicar-se de forma simples e entender o que é dito com um vocabulário de aproximadamente 200 palavras de acordo com site https://www.tuasaude.com. Dito isto, eu não consigo entender a pressa dos alunos em sair falando logo de cara, e já dou um conselho para que não acreditem nas propagandas do tipo: aprenda inglês em três meses, seis meses, um ano, porque isso não é possível! (Salvo exceção de alguns iluminados).
O ponto em questão é que se você aluno que está lendo este artigo não usar o que se aprende, se não começar a ter uma postura ativa na questão da linguagem (e na aprendizagem em geral), tentar conversar de fato, errando, com dificuldades, fazendo gestos, se esforçando e nunca usando o próprio idioma como muleta (traduções e etc) não irá desenvolver a comunicação. Portanto a abordagem comunicativa busca isso, fazer com que o aluno através de atividades ativas, desenvolvendo contextos comunicativos do dia a dia o aluno possa adquirir o vocabulário e ganhar confiança, porque quanto mais usar a língua menos erros comete.
Um aluno pode falar: “mas professor, como eu posso entender a aula se o você só fala em inglês?
Para este aluno, basta respirar fundo, bem fundo e fechar os olhos, pedindo ao infinito absoluto para ajudar o filho de Deus. Pergunte-se como você aprendeu português? Usou alguma outra língua? Usou um dicionário? Traduziu as palavras, fez contato imediato com seres extraterrestres? Não, simplesmente ouviu e tentou repetir, associou o que estava sendo ouvido com o ambiente, com as atitudes das pessoas ao redor, com os gestos, mímicas que seus pais faziam, com as dancinhas que faziam, as alterações no timbre de vós etc. Não precisou de fatores externos para aprendizagem a não ser os interlocutores. Usou de suas próprias habilidades.
Agora que se tornou adulto nada mudou, a forma de aquisição é a mesma. Ouvindo, associando e reproduzindo. Traduções e repetições cansativas não são formas efetivas de aprendizado porque não fazem parte do processo natural de aquisição, e quanto mais usar a língua materna para aprender outra língua mais difícil será para conseguir a fluência básica na língua, não estou dizendo que será impossível, estou dizendo que dificultará, será mais trabalhoso. Ora, a língua é algo vivo, se transforma gradativamente, decorar um punhado de expressões e achar que aprendeu a se comunicar em determinado tema é enganar a si próprio, existem dezenas de formas de dizer a mesma coisa. Por isso o esforço em usar a língua estrangeira se mostra muito eficaz, porque a naturalidade da expressão vem a tona.
Vou listar abaixo, de forma básica, alguns dos tópicos que apenas o uso constante da língua pode proporcionar o domínio destes fatores:
LINKING WORDS: São mencionadas como expressões de conexão, são também usadas para desenvolver a coerências com o parágrafo, conectar ideias ou argumentos. Ex: therefore, as all as, firstlly, also, not only, finally, but. Cada uma com seu respectivo objetivo que pode ser de: sequência, ênfase, contraste de ideias e etc.
PREPOSITIONAL VERBS: São expressões formadas por verbos e preposições que são inseparáveis. Ex: Apply for, break into, cout on, go through etc.
PHRASAL VERBS: São verbos compostos. Estes podem ser separáveis ou inseparáveis. Ex: (inseparáveis) Break up, give in, go up. (separáveis) Bring up, calm down, call off.
IDIOMS: Conhecidos como expressões idiomáticas, estas possuem um sentido figurativo melhor entendido pelos próprios nativos. EX: a lame duck, bag of bones, break the ice, cold turkey.
COLLOCATIONS: São duas ou mais palavras que geralmente vão juntas. Estas combinações “soam certas” para falantes nativos. Ex: fast food ao invés de quick food, take a shower ao invés de have a shower, pay a visit ao invés de make a visit, etc.
GAMBITS: São marcas de linguagem com a intenção de iniciar uma conversa. Ajuda o falante expressar-se no dialogo. EX: I think that, as far as I know, excuse me, not only that but, etc.
SLANGS: São palavras ou frases tidas como informais e restritas a contextos específicos ou peculiares a uma determinada profissão. Ex: Bloody hell, all to pot, bollocks, etc.
Estes fatores da língua só são compreendidos com a tentativa e erro do aluno, não possuem fórmulas gramaticais pois são construções sociolinguísticas que aquele determinado povo adquiriu ao longo de anos e anos de uso da língua, resultado do desenvolvendo de seus costumes, cultura e crenças, assim as expressões tomaram formas e significados.
Outro fator que pode levar o aluno a ter dificuldade na hora de se expor a este método é o de não preparar a aula antes de tê-la. Isso mesmo! Você deve estar se perguntando: mas isso não é papel do professor? Claro, mas não estou me referindo a preparar atividades e questões, e sim ao fato do aluno ler o conteúdo da aula previamente, tentar entender o conteúdo gramatical, o vocabulário antes de ter a aula, bem como procurar os termos e expressões não compreendidos (não traduzir). Desta forma o aluno investirá seu tempo em interação em vez de fazer perguntas do tipo: “o que significa isto? O que significa aquilo?”, e quando o professor for explicar um ponto gramatical o aluno não ficará perdido e obterá uma absorção mais rápida do conteúdo.
Como conclusão, a abordagem comunicativa exige um preparo rigoroso de ambas as partes, tanto do educador como do aluno e é justamente por isso que muitos alunos sentem muita dificuldade ou desistem do método, por concluir erroneamente que o papel de preparo advêm unicamente do profissional de ensino, quando na verdade mais da metade desse esforço é pessoal. Acredito que após a leitura deste artigo você possa acrescentar o conteúdo aqui a presentado a sua visão de estudo/educação e possa assim evoluir para ser um aluno ou professor melhor. Um abraço e até a próxima!
Lucas Gabriel Ribeiro
Material de apoio:

A questão da aquisição da língua estrangeira nos parâmetros da abordagem comunicativa.

Nos anos em que eu venho lecionando a língua inglesa na abordagem sócio comunicativa, que é dar prefer ê ncia ao uso efetivo da língua em ...