Nos anos em que eu venho lecionando a língua inglesa na abordagem sócio comunicativa, que é dar preferência ao
uso efetivo da língua em sala de aula, percebi que alguns dos meus
alunos não se adequam a este tipo de interação, não entendem como este
tipo de abordagem pode ser muito eficaz no aprendizado da língua.
Meu objetivo com este artigo não é de
forma alguma concluir que este ou aquele método é mais eficaz, mas sim,
dar minha opinião baseada na minha experiência pessoal de ensino da
língua e como eu venho observando a evolução dos meus alunos em
principalmente se comunicar em inglês.
Primeiramente, eu entendo que, quando o
aluno busca o aprendizado de uma nova língua estrangeira pode ter
diferentes objetivos a serem atingidos, que não necessariamente possa
ser efetivamente falar e se comunicar (por mais incrível que pareça),
percebo que alguns dos alunos estão interessados em desenvolver a
capacidade de ler em inglês, ou de adquirir um vocabulário técnico para
poder entender programas que usam o inglês em sua plataforma, ou
simplesmente por necessidade profissional, e nesses casos o grande vilão
se encontra no psicológico deste aluno, simplesmente porque ele precisa
(é obrigado) a adquirir aquele conhecimento de uma forma ou de outra e
não porque sente prazer em estudar.
Este é o ponto em que eu queria chegar, o
aluno que não mostra interesse pessoal nos estudos de línguas, não é
ele que dá o primeiro passo nessa direção e é muito provável que não irá
conseguir manter os estudos por muito tempo, e no período em que
estiver estudando a tarefa se tornará ardilosa e chata, em outras
palavras não é eficaz de forma alguma. E então sua participação em sala
de aula se torna mínima, este aluno não participará da aula e não
interagira com os outros estudantes e isso é vital para que suas
competências comunicativas sejam adquiridas.
Eu sempre defendi que a aquisição de
línguas, mesmo quando eu não conhecia a abordagem comunicativa, vinha
quase que cem por cento da prática, da comunicação, do estudo ativo, ou
seja, de realmente tentar usar as frases, palavras aprendidas durante a
aula com os colegas e ou professores. No caso de alunos autodidatas, que
estudam em casa e que não possuem colegas que possam praticar, usar
esta maravilhosa ferramenta que é a internet para poder comunicar-se com
outras pessoas, sejam brasileiros ou estrangeiros para poder praticar.
Eu, em meados de 2012 quando senti a necessidade de comunicar-me com
amigos ou nativos procurava fóruns de inglês na internet para poder
trocar ideias e contas do Skype. Praticava através de chamadas vídeo.
Estou frisando neste tópico para poder
usar a seguinte analogia: Quando somos bêbês e não conseguimos nos
comunicar, usamos da nossa associação lógica para obtermos o que
desejamos, seja porque estamos com fome ou porque estamos com dor.
Choramos e então percebemos que alguém vem nos socorrer, choramos de
novo e alguém nos dá comida. Nossos pais conversam conosco como se
estivéssemos entendendo o que estão dizendo, aproximam-se do berço e
dizem “hó, o que aconteceu, você está com fome não é? vem cá que a
mamãe/ papai vai cuidar de você”, ou por exemplo, vem com a mamãe/
papai, vem?!”. Nossos pais, avós, irmão mais velhos conversam conosco
como se de fato entendêssemos, quando na verdade estamos usando a lógica
para tentar associar os gestos que estão fazendo com as mão acompanhado
da expressão em seus rostos.
Com o passar do tempo, de tanto ouvirmos
os sons que fazem, começamos usar a associações lógicas e tentamos
reproduzir o som com o intuito de obtemos algo, “gaga” para “água”,
“papa” para chamar o Pai, “mãmã” para chamar a Mãe, “mimi” para dormir,
“betô” para cobertor” e assim por diante. O bêbê leva de fato 3 anos
para começar a comunicar-se de forma simples e entender o que é dito com
um vocabulário de aproximadamente 200 palavras de acordo com site https://www.tuasaude.com.
Dito isto, eu não consigo entender a pressa dos alunos em sair falando
logo de cara, e já dou um conselho para que não acreditem nas
propagandas do tipo: aprenda inglês em três meses, seis meses, um ano,
porque isso não é possível! (Salvo exceção de alguns iluminados).
O ponto em questão é que se você aluno
que está lendo este artigo não usar o que se aprende, se não começar a
ter uma postura ativa na questão da linguagem (e na aprendizagem em
geral), tentar conversar de fato, errando, com dificuldades, fazendo
gestos, se esforçando e nunca usando o próprio idioma como muleta
(traduções e etc) não irá desenvolver a comunicação. Portanto a
abordagem comunicativa busca isso, fazer com que o aluno através de
atividades ativas, desenvolvendo contextos comunicativos do dia a dia o
aluno possa adquirir o vocabulário e ganhar confiança, porque quanto
mais usar a língua menos erros comete.
Um aluno pode falar: “mas professor, como eu posso entender a aula se o você só fala em inglês?
Para este aluno, basta respirar fundo,
bem fundo e fechar os olhos, pedindo ao infinito absoluto para ajudar o
filho de Deus. Pergunte-se como você aprendeu português? Usou alguma
outra língua? Usou um dicionário? Traduziu as palavras, fez contato
imediato com seres extraterrestres? Não, simplesmente ouviu e tentou
repetir, associou o que estava sendo ouvido com o ambiente, com as
atitudes das pessoas ao redor, com os gestos, mímicas que seus pais
faziam, com as dancinhas que faziam, as alterações no timbre de vós etc.
Não precisou de fatores externos para aprendizagem a não ser os
interlocutores. Usou de suas próprias habilidades.
Agora que se tornou adulto nada mudou, a
forma de aquisição é a mesma. Ouvindo, associando e reproduzindo.
Traduções e repetições cansativas não são formas efetivas de aprendizado
porque não fazem parte do processo natural de aquisição, e quanto mais
usar a língua materna para aprender outra língua mais difícil será para
conseguir a fluência básica na língua, não estou dizendo que será
impossível, estou dizendo que dificultará, será mais trabalhoso. Ora, a
língua é algo vivo, se transforma gradativamente, decorar um punhado de
expressões e achar que aprendeu a se comunicar em determinado tema é
enganar a si próprio, existem dezenas de formas de dizer a mesma coisa.
Por isso o esforço em usar a língua estrangeira se mostra muito eficaz,
porque a naturalidade da expressão vem a tona.
Vou listar abaixo, de forma básica,
alguns dos tópicos que apenas o uso constante da língua pode
proporcionar o domínio destes fatores:
LINKING WORDS: São mencionadas
como expressões de conexão, são também usadas para desenvolver a
coerências com o parágrafo, conectar ideias ou argumentos. Ex:
therefore, as all as, firstlly, also, not only, finally, but. Cada uma
com seu respectivo objetivo que pode ser de: sequência, ênfase,
contraste de ideias e etc.
PREPOSITIONAL VERBS: São expressões formadas por verbos e preposições que são inseparáveis. Ex: Apply for, break into, cout on, go through etc.
PHRASAL VERBS: São verbos
compostos. Estes podem ser separáveis ou inseparáveis. Ex:
(inseparáveis) Break up, give in, go up. (separáveis) Bring up, calm
down, call off.
IDIOMS: Conhecidos como
expressões idiomáticas, estas possuem um sentido figurativo melhor
entendido pelos próprios nativos. EX: a lame duck, bag of bones, break
the ice, cold turkey.
COLLOCATIONS: São duas ou mais
palavras que geralmente vão juntas. Estas combinações “soam certas” para
falantes nativos. Ex: fast food ao invés de quick food, take a shower
ao invés de have a shower, pay a visit ao invés de make a visit, etc.
GAMBITS: São marcas de linguagem
com a intenção de iniciar uma conversa. Ajuda o falante expressar-se no
dialogo. EX: I think that, as far as I know, excuse me, not only that
but, etc.
SLANGS: São palavras ou frases
tidas como informais e restritas a contextos específicos ou peculiares a
uma determinada profissão. Ex: Bloody hell, all to pot, bollocks, etc.
Estes fatores da língua só são
compreendidos com a tentativa e erro do aluno, não possuem fórmulas
gramaticais pois são construções sociolinguísticas que aquele
determinado povo adquiriu ao longo de anos e anos de uso da língua,
resultado do desenvolvendo de seus costumes, cultura e crenças, assim as
expressões tomaram formas e significados.
Outro fator que pode levar o aluno a ter
dificuldade na hora de se expor a este método é o de não preparar a
aula antes de tê-la. Isso mesmo! Você deve estar se perguntando: mas
isso não é papel do professor? Claro, mas não estou me referindo a
preparar atividades e questões, e sim ao fato do aluno ler o conteúdo da
aula previamente, tentar entender o conteúdo gramatical, o vocabulário
antes de ter a aula, bem como procurar os termos e expressões não
compreendidos (não traduzir). Desta forma o aluno investirá seu tempo em
interação em vez de fazer perguntas do tipo: “o que significa isto? O
que significa aquilo?”, e quando o professor for explicar um ponto
gramatical o aluno não ficará perdido e obterá uma absorção mais rápida
do conteúdo.
Como conclusão, a abordagem comunicativa
exige um preparo rigoroso de ambas as partes, tanto do educador como do
aluno e é justamente por isso que muitos alunos sentem muita
dificuldade ou desistem do método, por concluir erroneamente que o papel
de preparo advêm unicamente do profissional de ensino, quando na
verdade mais da metade desse esforço é pessoal. Acredito que após a
leitura deste artigo você possa acrescentar o conteúdo aqui a presentado
a sua visão de estudo/educação e possa assim evoluir para ser um aluno
ou professor melhor. Um abraço e até a próxima!
Lucas Gabriel Ribeiro
Material de apoio:
-
Livro: Língua Inglesa: Aspectos discursivos – Profa, M.ª Silvana Rocha
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